EAN-13 e EAN-8: guia completo para lojistas e vendedores
O que cada dígito significa, quando registrar na GS1, o que marketplaces exigem e como gerar o código do seu produto.
Atualizado em
O EAN-13 é o código de barras presente em praticamente todo produto vendido no varejo brasileiro. Este guia explica o que cada bloco de dígitos representa, como funciona o dígito verificador, quando você precisa (ou não) registrar na GS1, e como gerar o código de barras do seu produto gratuitamente.
Você vê o EAN-13 em toda embalagem de supermercado, farmácia e pet shop; aquelas 13 barras verticais com números embaixo. Mas o que cada bloco de números significa? Quando você precisa registrar na GS1? E por que marketplaces como Mercado Livre e Shopee pedem esse número? Este guia responde tudo.
!Estrutura do código EAN-13: prefixo GS1, empresa, referência do produto e dígito verificador
O que é EAN-13?
EAN significa European Article Number (hoje chamado internacionalmente de GTIN-13, ou Global Trade Item Number de 13 dígitos). É o sistema de identificação de produtos comerciais mais usado no mundo, presente em mais de 100 países e administrado globalmente pela GS1 (abre em nova aba); no Brasil, pela GS1 Brasil (abre em nova aba), fundada em 1983.
O EAN-13 não é apenas um número aleatório. Cada bloco de dígitos carrega uma informação específica sobre a origem e o produto.
Estrutura do EAN-13: o que cada dígito significa
Um EAN-13 é dividido em quatro partes:
789 | 12345 | 6789 | 0
País | Empresa | Produto | Verificador1. Prefixo GS1 (3 dígitos); identifica o país
Os três primeiros dígitos identificam o país no qual a empresa está registrada, conforme a tabela da GS1 Global (abre em nova aba). Para o Brasil, os prefixos são 789 e 790, ambos válidos e atribuídos pela GS1 Global exclusivamente ao Brasil.
Isso não significa que o produto foi fabricado no Brasil; apenas que a empresa detentora do código está registrada aqui.
2. Prefixo da empresa (variável); identifica o fabricante
Atribuído pela GS1 Brasil ao se associar. O número de dígitos varia conforme o plano contratado: empresas com catálogos menores recebem prefixos mais longos (sobram menos dígitos para o produto), e empresas maiores recebem prefixos mais curtos.
3. Referência do produto (variável); definida pelo fabricante
Os dígitos restantes (após o prefixo da empresa e antes do verificador) identificam cada produto específico. É o fabricante quem os define; cada variação de produto (cor, tamanho, sabor) deve ter uma referência diferente.
4. Dígito verificador (1 dígito); garante a integridade
O último dígito é calculado matematicamente a partir dos 12 anteriores usando o algoritmo de módulo 10. Qualquer leitor de código de barras calcula esse dígito e rejeita o código se não bater; isso evita erros de digitação ou impressão defeituosa.
Como é calculado: some os dígitos em posições ímpares (1.º, 3.º, 5.º, 7.º, 9.º, 11.º), multiplique os dígitos em posições pares (2.º, 4.º, 6.º, 8.º, 10.º, 12.º) por 3, some tudo, e o verificador é o número que completa o múltiplo de 10 mais próximo.
O gerador de EAN do GeraCode calcula e valida o dígito verificador automaticamente.
EAN-8: para embalagens com pouco espaço
O EAN-8 (GTIN-8) funciona da mesma forma que o EAN-13, mas com apenas 8 dígitos. Foi criado para embalagens muito pequenas onde não há espaço para 13 dígitos; balas, chicletes, cosméticos compactos, sachês.
| Característica | EAN-13 | EAN-8 |
|---|---|---|
| Total de dígitos | 13 | 8 |
| Largura mínima (GS1) | ~29,8 mm | ~21,4 mm |
| Uso principal | Maioria dos produtos | Embalagens pequenas |
| Capacidade de produtos | Até 100.000 por empresa | Limitado (uso especial GS1) |
O EAN-8 exige registro na GS1 Brasil mesmo para uso interno, pois os prefixos são controlados para evitar colisões globais.
Quando você precisa registrar na GS1?
A resposta depende do canal de venda:
Precisa registrar na GS1 se:
- Vai vender em supermercados, farmácias, magazines ou qualquer rede varejista que conecta ao banco de dados GS1.
- Vai exportar para países que validam GTINs contra o banco global.
- Quer o "Selo GS1" de autenticidade do produto.
Não precisa registrar se:
- Vende apenas no seu e-commerce próprio com sistema interno.
- Usa o código só para controle de estoque interno.
- Vende em marketplaces que aceitam GTINs não registrados para produtos de marca própria (verifique a política de cada plataforma; varia por categoria).
Para saber os valores de associação atualizados, consulte gs1br.org (abre em nova aba); os planos são reajustados periodicamente.
O que os marketplaces brasileiros exigem
Segundo as políticas públicas de cada plataforma (sujeitas a mudanças):
- Mercado Livre: exige GTIN para produtos novos em categorias como eletrônicos, beleza e alimentos. Produtos artesanais ou de marca própria sem código oficial podem ser cadastrados sem GTIN, mas têm menor visibilidade na busca.
- Shopee: GTIN opcional na maioria das categorias, mas produtos com EAN recebem mais credibilidade no algoritmo.
- Amazon Brasil: exige GTIN para praticamente todos os produtos. Marcas próprias podem solicitar isenção via Brand Registry.
- Magalu: EAN obrigatório no cadastro de sellers.
- Casas Bahia / Ponto: EAN obrigatório, com validação automática do dígito verificador.
Atenção: usar EAN inventado ou comprado de revendedor não autorizado em marketplaces que validam contra a base GS1 pode resultar em suspensão da conta ou remoção do anúncio. A GS1 Brasil (abre em nova aba) é a única entidade autorizada a emitir prefixos válidos no Brasil.
Como gerar o EAN-13 do seu produto
Se você precisa do código visual (a imagem das barras) para imprimir na embalagem ou etiqueta; seja a partir de um GTIN já registrado na GS1 ou para uso interno; use o gerador de EAN do GeraCode:
- Escolha EAN-13 ou EAN-8.
- Digite os 12 primeiros dígitos do seu código (o 13.º verificador é calculado automaticamente).
- Ajuste largura e altura conforme a embalagem.
- Baixe em SVG para impressão ou PNG para uso digital.
O código gerado é a representação visual do número; qualquer leitor de código de barras vai lê-lo e retornar o número correspondente.
EAN vs. SKU vs. GTIN: qual a diferença?
| Termo | O que é | Quem define |
|---|---|---|
| EAN-13 | Código de barras visual (imagem) | Gerado a partir do GTIN |
| GTIN | Número global de identificação do produto | GS1 (com registro) ou empresa (uso interno) |
| SKU | Código interno de gestão de estoque | A própria empresa, livremente |
O GTIN é o número; o EAN-13 é a representação visual desse número em código de barras. O SKU é um código separado, interno, para organização própria; veja mais em o que é SKU e como criar para sua loja.
Onde fica o código EAN no produto?
O EAN-13 fica impresso na embalagem do produto, geralmente:
- Embalagens rígidas (caixas, potes, garrafas): preferencialmente na parte traseira inferior ou na lateral; longe de dobras, costuras e áreas metálicas
- Embalagens flexíveis (sachês, plásticos): na área plana mais estável, evitando vincos
- Etiquetas em produtos sem embalagem (calçados, ferragens): na etiqueta presa ao produto
O padrão GS1 não exige uma posição absoluta, mas define que o código deve estar em área plana, sem dobras sobre as barras, com fundo sólido e margem de silêncio respeitada. A altura do piso do código não pode ser menor que 32 mm do fundo da embalagem; para facilitar a leitura nas esteiras de PDV onde o leitor está posicionado abaixo do produto.
EAN-13 é obrigatório por lei no Brasil?
Depende do segmento e do canal de venda:
- Produtos vendidos em supermercados, farmácias e grandes redes varejistas: o código de barras é exigido por contrato comercial do varejista, não por lei federal genérica. Mas na prática, nenhuma rede aceita produto sem EAN.
- NF-e (nota fiscal eletrônica): desde 2019, o campo GTIN é obrigatório na NF-e para produtos que já possuem EAN registrado. Para produtos sem EAN, preenche-se "SEM GTIN".
- Marketplaces: cada plataforma define sua própria política; veja a seção abaixo.
- MEI, ME e pequenas empresas com e-commerce próprio: não há obrigação legal de ter EAN. O código é opcional, mas facilita gestão e vendas multicanal.
Não existe uma lei federal brasileira que obrigue todo produto a ter EAN-13 indiscriminadamente; a obrigatoriedade é setorial e contratual.
Quanto tempo leva para se registrar na GS1 Brasil?
Segundo o processo padrão da GS1 Brasil, o prazo após pagamento confirmado é de 3 a 5 dias úteis para receber o prefixo de empresa e ter acesso ao sistema para cadastrar produtos. Em períodos de alto volume, pode levar até 10 dias úteis.
Depois do prefixo em mãos, você define os números de produto imediatamente; não há espera adicional por produto.
UPC-A: o padrão norte-americano que você pode encontrar
O UPC-A é o equivalente americano do EAN-13, tem 12 dígitos em vez de 13. Tecnicamente, um UPC-A é equivalente a um EAN-13 com "0" na frente: o UPC-A 012345678905 é lido como EAN-13 0012345678905. Todos os leitores modernos leem os dois formatos.
Se você vende no Amazon Brasil ou planeja exportar para os Estados Unidos, pode precisar de UPC registrado na GS1 US (gs1us.org); ou verificar com o comprador se o EAN-13 brasileiro é aceito. Para a maioria dos marketplaces brasileiros, o EAN-13 (prefixo 789/790) é o formato correto.
Quanto custa registrar na GS1 Brasil?
A GS1 Brasil cobra uma anuidade que varia conforme o faturamento anual da empresa. Os planos são reajustados periodicamente; sempre consulte gs1br.org (abre em nova aba) para valores vigentes.
De forma geral, os planos funcionam assim:
- Empresas pequenas (MEI, ME, EPP): planos de entrada com prefixo de empresa menor, que permitem identificar dezenas ou centenas de produtos.
- Empresas médias: prefixos mais curtos, que permitem mais variações de produto.
- Grandes empresas e indústria: prefixos curtos com capacidade para dezenas de milhares de produtos.
Além da anuidade, há uma taxa de adesão na primeira associação. O valor total no primeiro ano costuma ser maior do que os anos subsequentes.
Atenção: existem revendedores não autorizados que vendem "EAN-13" avulsos mais barato. Esses códigos não estão vinculados à sua empresa no banco de dados GS1 e podem causar conflitos com produtos de outros fabricantes. Supermercados e grandes varejistas validam contra a base GS1, código de terceiro será rejeitado.
EAN-13 em embalagens: requisitos visuais da GS1
A especificação técnica da GS1 define regras precisas para a impressão do EAN-13 na embalagem:
Tamanhos:
- Tamanho nominal: 37,29 mm × 25,93 mm (barras + número)
- Tamanho mínimo: 80% do nominal (≈ 29,8 mm × 20,7 mm)
- Tamanho máximo: 200% do nominal (≈ 74,6 mm × 51,9 mm)
- Abaixo de 80% do nominal, erros de leitura se tornam frequentes
Cores:
- Barras: preto, azul escuro, verde escuro, marrom; qualquer cor que absorva luz infravermelha
- Fundo: branco ou cor muito clara; o leitor usa reflexo de luz
- Combinações problemáticas: vermelho no fundo (invisível ao leitor IR), dourado, metálico
Margem de silêncio (quiet zone):
- 3,63 mm à esquerda das barras
- 2,31 mm à direita das barras
- Sem essa margem, o leitor não consegue identificar onde o código começa e termina
O gerador de EAN do GeraCode gera o código com margens corretas incluídas no SVG exportado.
Como validar um EAN-13 existente
Se você recebeu um número EAN de um fornecedor ou tem um código já impresso e quer verificar se está correto, o cálculo do dígito verificador é simples:
Exemplo com o EAN 7891000315507:
- Pegue os 12 primeiros dígitos:
7 8 9 1 0 0 0 3 1 5 5 0 - Some os dígitos em posição ímpar (1ª, 3ª, 5ª, 7ª, 9ª, 11ª): 7+9+0+0+1+5 = 22
- Some os dígitos em posição par (2ª, 4ª, 6ª, 8ª, 10ª, 12ª): 8+1+0+3+5+0 = 17, multiplique por 3: 51
- Total: 22 + 51 = 73
- Dígito verificador: número que completa o múltiplo de 10 = 10 - (73 mod 10) = 10 - 3 = 7
Portanto, o 13.º dígito deve ser 7, confirmado: 7891000315507.
O gerador e validador de EAN faz esse cálculo automaticamente ao digitar os 12 primeiros dígitos.
EAN-13 na nota fiscal eletrônica (NF-e)
Desde 2019, a Receita Federal exige o preenchimento do campo GTIN (cEAN e cEANTrib) na NF-e para produtos que possuem código de barras com GTIN registrado. As regras:
- Se o produto tem EAN-13 registrado na GS1: o campo deve ser preenchido com o GTIN correto.
- Se o produto não tem EAN registrado: preencha com o literal
SEM GTIN. - Usar um número inventado ou de outro produto pode resultar em rejeição da nota pela SEFAZ.
Para emissores de NF-e: verifique se seu software de emissão valida o GTIN contra a base GS1 antes de enviar. Sistemas como Bling, Omie e Tiny já fazem essa validação automaticamente.
Prefixos GS1 por país: como identificar a origem
Os três primeiros dígitos do EAN-13 identificam o país de registro, não de fabricação. Alguns prefixos relevantes:
| Prefixo | País/Região |
|---|---|
| 000–019 | Estados Unidos e Canadá |
| 030–039 | Estados Unidos (farmacêutico) |
| 300–379 | França |
| 400–440 | Alemanha |
| 450–459, 490–499 | Japão |
| 500–509 | Reino Unido |
| 754–755 | Canadá |
| 789–790 | Brasil |
| 850 | Cuba |
| 880 | Coreia do Sul |
Um produto com prefixo 400 pode ter sido fabricado no Brasil; o prefixo indica apenas onde a empresa detentora do código está registrada na GS1.
Erros comuns com EAN-13
Usar o mesmo EAN em variações diferentes. Cada variação de produto (cor, tamanho, sabor) precisa de um GTIN único. Tênis preto 38 e tênis preto 39 são GTINs diferentes.
Reutilizar código de produto descontinuado. Plataformas guardam histórico. Reaproveitar o código causa conflito no catálogo e pode trazer avaliações e devoluções do produto anterior.
Imprimir sem o número embaixo das barras. O padrão GS1 exige que os 13 dígitos apareçam em texto abaixo do código de barras (chamado de HRI, Human Readable Interpretation) para produtos comercializados no varejo. É obrigatório e serve de fallback quando o leitor não consegue ler o código visual.
Imprimir em tamanho abaixo do mínimo. EAN-13 menor que 29 mm de largura começa a falhar nos leitores de PDV. Use sempre o SVG exportado pelo gerador, que mantém proporções corretas em qualquer tamanho de impressão.
Usar EAN comprado de revendedor não autorizado. O número pode colidir com o produto de outro fabricante cadastrado na base GS1. Sempre registre na GS1 Brasil diretamente para uso em varejo físico.
Próximos passos
- Precisa de formatos além do EAN? Veja código de barras para produtos: guia completo.
- Para imprimir etiquetas: como imprimir etiquetas com código de barras.
- Gere o código visual direto no gerador de EAN do GeraCode.
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Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre EAN-13 e EAN-8?
EAN-13 usa 13 dígitos e é o padrão para a maioria dos produtos de consumo. EAN-8 usa 8 dígitos e foi criado para embalagens pequenas onde não há espaço para 13 dígitos, como balas, chicletes e cosméticos compactos.
Preciso registrar o EAN na GS1 para vender no varejo?
Sim. Para vender em supermercados, farmácias e grandes redes varejistas, o código EAN deve ser registrado na GS1 Brasil. O GeraCode é ideal para testes, uso interno e e-commerce próprio.
Como calcular o dígito verificador do EAN-13?
O dígito verificador é o 13° dígito, calculado com base nos 12 anteriores usando o algoritmo de módulo 10. Ferramentas online e a própria GS1 fornecem calculadoras. Nosso gerador valida automaticamente.
Posso usar EAN-13 para vender no Mercado Livre?
Sim. O Mercado Livre aceita EAN-13 como identificador de produto no cadastro. Para itens novos, o código EAN ajuda o sistema a identificar o produto automaticamente.
O código gerado funciona em leitores de código de barras?
Sim, desde que o número informado seja válido. O código gerado em PNG ou SVG pode ser impresso e lido por qualquer leitor de código de barras compatível com EAN.
O GeraCode calcula o dígito verificador do EAN-13?
Sim. Se você digitar 12 dígitos no formato EAN-13, o GeraCode calcula automaticamente o 13.º dígito (verificador) usando o algoritmo de módulo 10. O mesmo vale para EAN-8 com 7 dígitos.
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