O que é SKU e como criar um sistema para sua loja
Diferença entre SKU e EAN, como montar uma estrutura de código interno e integrar com seu ERP.
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SKU (Stock Keeping Unit) é o código interno que você cria para identificar cada variação de produto no seu estoque. É diferente do EAN/código de barras; o SKU é seu, o EAN é do fabricante. Este guia explica o que é SKU, como montar uma estrutura que funciona na prática e como integrar com sistemas de gestão como Bling, Tiny e Omie.
Todo produto no seu estoque precisa de uma identidade. O código de barras EAN identifica o produto para o mundo; supermercados, marketplaces, fornecedores. O SKU é diferente: é o código que você cria para identificar o produto dentro da sua operação. Este guia explica o que é SKU, como criar um sistema consistente e quando ele se conecta (ou não) com o código de barras.
!O que é SKU: grade de produtos com códigos de identificação para controle de estoque
O que é SKU?
SKU, pronuncia-se "eskiu"; é a sigla em inglês para Stock Keeping Unit, ou "unidade de manutenção de estoque". É um código alfanumérico que identifica de forma única cada variação de produto no seu catálogo.
A palavra-chave é variação: tênis preto número 38 e tênis preto número 39 são dois SKUs diferentes. Camiseta azul tamanho M e camiseta azul tamanho G são dois SKUs diferentes. Cada combinação única de produto + atributos = um SKU.
SKU vs. EAN vs. GTIN: qual a diferença?
| Termo | O que é | Quem define | Onde é usado |
|---|---|---|---|
| SKU | Código interno de estoque | Você (lojista) | ERP, planilha, WMS interno |
| EAN-13 / GTIN | Código global de produto | GS1 + fabricante | PDV, marketplaces, fornecedores |
| Código de barras | Representação visual do EAN ou outro código | Gerado a partir do número | Etiqueta física, leitor óptico |
| Referência do fabricante | Código do produto conforme o fabricante | Fabricante | Nota fiscal, catálogo de compras |
O SKU é completamente separado do EAN. Você pode ter um produto com EAN registrado na GS1 e um SKU interno; e eles serão números diferentes. Você também pode ter um SKU para um produto que não tem EAN (artesanal, marca própria sem registro).
Como criar SKUs: estrutura recomendada
Um bom SKU deve ser:
- Único: nenhum outro produto tem o mesmo SKU
- Consistente: segue sempre o mesmo padrão
- Legível: uma pessoa consegue entender o produto pelo código
- Curto: idealmente até 15 caracteres
Estrutura com segmentos
A abordagem mais comum é dividir o SKU em segmentos separados por hífen, onde cada segmento representa um atributo:
[CATEGORIA]-[PRODUTO]-[ATRIBUTO1]-[ATRIBUTO2]Exemplos:
| Produto | SKU |
|---|---|
| Tênis Running Preto 38 | TEN-RUN-PTO-38 |
| Camiseta Polo Azul G | CAM-POL-AZL-G |
| Notebook Dell 16GB 512GB | NOT-DEL-16-512 |
| Café Especial 250g Torrado | CAF-ESP-250-TOR |
Essa estrutura permite que você filtre e agrupe produtos no ERP por categoria ou atributo.
Usar números sequenciais?
Alguns sistemas usam SKUs puramente numéricos (00001, 00002…). É simples, mas perde o significado humano; você não consegue entender o produto só olhando para o SKU. Para operações pequenas (menos de 200 produtos), um SKU descritivo como nos exemplos acima funciona melhor.
Para catálogos com milhares de produtos, um SKU híbrido (prefixo de categoria + número sequencial) equilibra os dois:
TEN-0001, TEN-0002, CAM-0001, CAM-0002…Quantos SKUs por produto?
Um SKU por variação vendável. Se um produto tem cor e tamanho, o número de SKUs é cores × tamanhos. Produto com 3 cores e 5 tamanhos = 15 SKUs.
Essa multiplicação parece assustadora no início, mas é necessária: cada variação precisa de controle de estoque independente. Você pode ter 50 unidades do tênis preto 38 e zero do preto 39, sem SKUs separados, é impossível rastrear isso.
SKU em marketplaces brasileiros
Nos principais marketplaces:
- Mercado Livre: campo "SKU do vendedor" aceita qualquer código interno. Aparece nos relatórios de venda para você cruzar com seu estoque.
- Shopee: campo "SKU" visível para o vendedor; pode ser diferente por variação.
- Amazon Brasil: "Merchant SKU" é obrigatório no cadastro e deve ser único na sua conta.
- Magalu / Casas Bahia: aceitam referência interna do seller.
O SKU do marketplace não precisa ser o mesmo que o seu SKU interno; mas manter consistência facilita a conciliação de pedidos.
Integrando SKU com ERP e sistemas de gestão
Os ERPs mais usados por pequenas e médias empresas no Brasil, [Bling](https://www.bling.com.br), [Tiny ERP](https://www.tiny.com.br) e [Omie](https://www.omie.com.br), têm campo específico para SKU/código interno, separado do código de barras:
- Bling: campo "Código" (SKU interno) e campo "GTIN/EAN" separados. O código de barras pode ser gerado automaticamente ou importado.
- Tiny ERP: "Código interno" (SKU) e "Código de barras" (EAN) são campos distintos. A integração com marketplaces usa o código interno para conciliar pedidos.
- Omie: "Código do produto" (SKU) e "Código EAN" separados. Relatórios de estoque usam o SKU para agrupamento.
Se você usa planilha Excel ou Google Sheets, crie colunas separadas para SKU, EAN e referência do fabricante; nunca misture os três.
Erros comuns ao criar SKUs
Reutilizar SKUs de produtos descontinuados. Se você vende um produto, descontinua e depois cadastra outro produto diferente com o mesmo SKU, o histórico de vendas fica misturado. Sempre crie SKUs novos; o custo de um número a mais é zero.
SKUs diferentes para o mesmo produto. Se o produto tem o mesmo EAN mas aparece com SKUs diferentes em sistemas distintos (ERP, marketplace, planilha), a conciliação de estoque vira pesadelo. Padronize antes de integrar.
SKUs com caracteres especiais. Evite acentos, espaços, barras (/) e outros caracteres que podem causar problemas em importação CSV ou APIs de marketplace. Use apenas letras maiúsculas, números e hífens.
Não documentar o padrão. Se o padrão de criação de SKU existe só na cabeça do gestor, qualquer pessoa nova vai criar SKUs fora do padrão. Documente: categorias, atributos, abreviações.
Templates de SKU por setor
Cada segmento tem convenções diferentes. Esses exemplos são ponto de partida; adapte para a realidade do seu catálogo.
Moda e vestuário
[TIPO]-[MODELO]-[COR]-[TAMANHO]
CAM-POL-AZL-P → Camisa Polo Azul P
CAM-POL-AZL-M → Camisa Polo Azul M
TEN-AIR-PTO-38 → Tênis Air Preto 38
BOL-TIR-MAR-UN → Bolsa Tiracolo Marrom ÚnicoPara moda, o tamanho e a cor são os atributos mais críticos; cada combinação é um SKU independente.
Alimentos e bebidas
[PRODUTO]-[SABOR/TIPO]-[GRAMAGEM]-[EMBALAGEM]
CAF-TOR-250-PAC → Café Torrado 250g Pacote
CAF-TOR-500-PAC → Café Torrado 500g Pacote
SUC-LJA-1L-TPK → Suco Laranja 1L Tetra Pak
BAR-CHO-40-UNI → Barra Chocolate 40g UnitáriaPara alimentos, gramagem e embalagem definem o SKU, mesmo sabor em tamanhos diferentes são produtos distintos para fins de controle de estoque.
Eletrônicos e informática
[CATEGORIA]-[MARCA]-[MODELO/SPEC]-[COR]
NOT-DEL-I7-PTO → Notebook Dell i7 Preto
FNE-SAM-A55-AZL → Fone Samsung A55 Azul
CBL-USB-3M-PTO → Cabo USB 3m PretoPara eletrônicos, especificações técnicas (memória, processador, voltagem) são os atributos mais importantes.
Cosméticos e higiene
[PRODUTO]-[LINHA]-[VOLUME]-[TIPO]
SHA-HID-400-LIS → Shampoo Hidratação 400ml Liso
SHA-HID-400-CAC → Shampoo Hidratação 400ml Cacheado
CRE-DES-50-FEM → Creme Desodorante 50g FemininoComo migrar de planilha para SKU estruturado
Se você já tem produtos cadastrados sem padrão (ou com EAN como referência interna), a migração é um trabalho único que vale muito a longo prazo.
Passo 1, Inventário: liste todos os produtos ativos com nome, variações e código atual.
Passo 2, Defina categorias e abreviações: crie uma tabela de referência com todas as abreviações que você vai usar. Exemplo:
Categorias: CAM=Camiseta, TEN=Tênis, BOL=Bolsa
Cores: PTO=Preto, BCO=Branco, AZL=Azul, VRM=Vermelho
Tamanhos: PP, P, M, G, GG (ou números para calçados)Passo 3, Gere os novos SKUs: aplique a estrutura a cada produto. Para catálogos grandes (500+ produtos), faça por categoria; não tente fazer tudo de uma vez.
Passo 4, Atualize nos sistemas: comece pelo ERP ou planilha principal, depois sincronize com marketplaces um de cada vez. Nunca mude o SKU em um marketplace sem ter o novo SKU pronto no ERP, pedidos em aberto podem ficar sem conciliação.
Passo 5, Imprima novas etiquetas: somente após todos os sistemas atualizados, imprima as etiquetas novas e substitua no estoque físico.
Planilha vs. ERP: quando migrar a gestão de SKUs
Use planilha enquanto:
- Catálogo com menos de 200 produtos
- Uma só plataforma de venda
- Volume de pedidos menor que 30/dia
- Sem integração com fornecedor ou transportadora
Migre para ERP quando:
- Mais de 200 SKUs ativos
- Venda em 2 ou mais canais (loja física + marketplace)
- Necessidade de nota fiscal automatizada
- Controle de custo por produto (preço de compra vs. venda)
Os ERPs mais usados por pequenas e médias empresas no Brasil, Bling, Tiny e Omie, permitem importação em massa de SKUs via CSV, o que facilita a migração a partir de uma planilha bem estruturada.
SKU para e-commerce vs. loja física: diferenças práticas
E-commerce: o SKU aparece nos relatórios de venda e é o elo entre o pedido online e o estoque físico. Sem SKU correto, a separação de pedido vira caça ao tesouro.
Loja física com PDV: o SKU geralmente fica no sistema do PDV. O caixa escaneia o EAN-13 da embalagem, mas o sistema usa o SKU interno para baixar o estoque e calcular o custo.
Híbrido (omnichannel): cada produto precisa do mesmo SKU nos dois canais. A integração entre e-commerce e PDV físico usa o SKU como chave de reconciliação de estoque; é o campo que diz "este produto vendido online é o mesmo produto que está na prateleira da loja".
O cliente vê o SKU? É público ou privado?
Não; o SKU é um código interno. Em marketplaces e e-commerces, o SKU nunca aparece na página do produto para o consumidor final. Ele está visível apenas para o vendedor nos relatórios, pedidos e painel de controle.
| Onde o SKU aparece | Para quem |
|---|---|
| Painel do marketplace (pedidos, estoque) | Apenas o vendedor |
| Relatório de vendas e conciliação | Apenas o vendedor / equipe interna |
| Sistema ERP / planilha interna | Apenas equipe |
| Etiqueta de separação (fulfillment) | Apenas operador de estoque |
| Nota fiscal (campo interno) | Vendedor e transportadora |
A exceção são sistemas B2B onde o comprador precisa do código interno para reordenar; mas nesse caso, é uma decisão deliberada do vendedor expor o SKU.
Como alterar o SKU de um produto já cadastrado
Mudar o SKU de produto já ativo exige cuidado para não quebrar o histórico:
No marketplace: A maioria dos marketplaces (Mercado Livre, Shopee, Amazon) permite editar o SKU do vendedor na página do anúncio, mas isso não apaga o histórico de pedidos anteriores; eles ficam registrados com o SKU antigo. Faça a troca somente quando não houver pedidos abertos ou em disputa.
No ERP: Bling, Tiny e Omie permitem editar o código interno. Exporte um backup do histórico de movimentações com o SKU antigo antes de alterar.
Boa prática: em vez de alterar, desative o SKU antigo e crie um novo. Mantenha a tabela de equivalência (SKU antigo → SKU novo) para reconciliação de relatórios históricos.
Nunca mude o SKU de um produto com estoque em múltiplos depósitos sem sincronizar todos os sistemas primeiro; o risco de venda de produto sem estoque real é alto.
Usando SKUs para previsão de demanda
O SKU é a unidade de análise de qualquer relatório de giro de estoque. Com os dados de SKU você consegue:
- Identificar os top sellers: quais SKUs têm maior saída; permitem priorizar reposição e negociar volume com fornecedores
- Detectar SKUs parados: produtos com baixo giro que imobilizam capital; candidatos a promoção ou descontinuação
- Calcular ponto de reposição: "sempre que o estoque do SKU X cair abaixo de Y unidades, gerar pedido de compra"
- Analisar sazonalidade: comparar vendas por SKU mês a mês para prever picos (Natal, Dia das Mães) por categoria
ERPs como Bling e Tiny têm relatórios de "curva ABC de produtos" por SKU, o produto A é o que mais vende, C é o que menos vende. Essa análise guia tanto o planejamento de compras quanto as campanhas promocionais.
Código de barras a partir do SKU
O SKU interno pode ser impresso como código de barras para uso no estoque; independentemente de ter ou não um EAN registrado na GS1. Basta usar o formato Code 128, que aceita letras e números (o EAN-13 só aceita dígitos numéricos).
No gerador de código de barras do GeraCode:
- Selecione Code 128.
- Digite o SKU (ex:
TEN-RUN-PTO-38). - Baixe em SVG para etiquetas de prateleira ou coletor de estoque.
Esse código de barras serve para uso interno; leitor de mão, coletor, WMS. Não use SKU como código de barras em produtos que vão para o varejo (esses precisam do EAN-13).
Próximos passos
- Para entender o EAN-13 e como registrar na GS1: EAN-13 e EAN-8: guia completo.
- Para gerar o código de barras do seu SKU em Code 128: gerador de código de barras.
- Para imprimir etiquetas com o SKU: como imprimir etiquetas com código de barras.
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Perguntas Frequentes
O que é SKU e para que serve?
SKU (Stock Keeping Unit) é um código interno de identificação de produtos criado pela própria empresa. Serve para organizar o estoque, facilitar a localização de produtos e controlar variações (cor, tamanho, modelo).
SKU é o mesmo que código de barras?
Não. SKU é um código interno definido pelo lojista. Código de barras (EAN) é um padrão universal registrado na GS1. Um produto pode ter ambos: o SKU para gestão interna e o EAN para identificação no mercado.
Quantos SKUs posso gerar de uma vez?
Você pode gerar até 500 SKUs de uma vez no GeraCode. Todos são exibidos na tela e podem ser copiados ou exportados em CSV.
Como devo abreviar categorias e atributos?
Use 2 a 4 letras maiúsculas que sejam intuitivas: CAM para camiseta, CAL para calça, AZL para azul, VRM para vermelho, P/M/G para tamanhos. O importante é manter a consistência.
Qual formato de código de barras devo usar para meu produto?
Para produtos vendidos em supermercados e varejo brasileiro, use EAN-13. Para controle interno de estoque, Code 128 é mais flexível. Para exportar para os EUA, use UPC-A. Para caixas de transporte e logística, use ITF-14.